Quem sou eu

Niterói, RJ
Médico Veterinário que trabalha no tratamento e no estudo de distúrbios de comportamento em cães e gatos. CV Lattes: http://lattes.cnpq.br/9116323178127878

terça-feira, 10 de abril de 2012

Nota preliminar sobre o uso de feromônio para reduzir sinais de ansiedade e medo nos cães em ambiente de banho e tosa


RESUMO: O fato de muitos cães desenvolverem sinais de medo e ansiedade nos ambientes destinados a serviços de banho e tosa foi a motivação para a realização deste estudo, que avaliou a eficiência do Feromônio tranqüilizador de cães (D.A.P.® - Dog Appeasing Pheromone – Ceva Santé Animale) na redução de tais sinais. Os sinais observados foram: agressividade, midríase, salivação, sapateios e vocalizações. Todos os animais apresentaram redução na apresentação dos sinais após sete dias de instalação do difusor no ambiente do banho e tosa. Tais resultados trazem uma nova perspectiva para a melhoria da qualidade de vida dos cães domésticos que são submetidos a procedimentos de banho e tosa.
SOARES, et al. A Hora Veterinária, v. 31, n. 186, p.24-28, 2012

terça-feira, 12 de julho de 2011

COMPARAÇÃO DO COMPORTAMENTO DOMINANTE DE FILHOTES DE CÃES DE CINCO RAÇAS

RESUMO - Campbell, em 1972, desenvolveu um teste para seleção de filhotes de cães, com objetivo de determinar seu grau de dominância para direcioná-los para uma atividade ou família compatível. No presente estudo, este teste foi aplicado em filhotes de cinco raças para avaliar possíveis diferenças comportamentais. Os filhotes (138 Labrador; 71 Rottweiler, 31 Bull Terrier, 13 Cocker Spaniel Inglês e 12 Pit Bull), com idade entre seis e oito semanas foram testados em seus canis de origem. Os resultados foram analisados estatisticamente através do teste de Kruskal-Wallis e a comparação entre os pares pelo teste de Student-Newman-Keuls. Os filhotes de American Pit Bull obtiveram maior pontuação geral, porém sem diferença significativa para os demais, já os filhotes de Labrador mostraram maior pontuação total no teste comparado aos de Rottweiler (P=0,02) e Bull Terrier (P=0,01). Com esses resultados pode-se caracterizar uma maior atração do filhote de Labrador ou uma maior independência do filhote de Rottweiler e de Bull Terrier em relação ao ser humano.

sábado, 23 de abril de 2011

Hiperatividade canina

A hiperatividade é uma queixa relativamente comum dos proprietários de cães. A inexistência de um manual único e confiável que descreva os distúrbios e problemas de comportamento dos animais torna o diagnóstico de hiperatividade uma tarefa difícil. Fica sempre a dúvida, o cão é hiperativo ou mal educado? Recorrendo aos principais livros de etologia clínica, vemos a hiperatividade como um parágrafo ou, no máximo, uma coluna perdida num capítulo. O que não esclarece muito aos leitores e continua complicando o diagnóstico.

Como tive que preparar uma palestra sobre o assunto, vou compartilhar o que concluí a partir de meus estudos sobre o tema.

O termo HIPERATIVIDADE, pode ser usado em dois contextos clínicos diferentes. Um cão que é excessivamente ativo, a não ser que se crie uma nova terminologia como: SUPERATIVO ou  MEGA-ATIVO, pode ser chamado de Hiperativo. O prefixo "Hiper" seguido do adjetivo "ativo" qualifica o indivíduo como aquele que tem atividade excessiva, portanto pode ser aplicado em quaisquer situações em que o cão apresente comportamento exacerbadamente mais ativo do que o esperado.

Essa ambiguidade do termo vai de encontro com o que alguns autores dizem. Esses consideram como hiperativos os animais com um distúrbio neuro-funcional equivalente ao TDAH dos seres humanos. Tal distúrbio ocorre provavelmente por uma disfunção na produção/captação da Dopamina no Sistema Nervoso Central (SNC).

Então, como diferenciar? Podemos chamar a hiperatividade decorrente da disfunção neuro-funcional de Primária ou Verdadeira, e a Hiperatividade decorrente de um comportamento adquirido a partir da interação do cão com o meio (físico ou social) como Hiperatividade Secundária ou Adquirida.

HIPERATIVIDADE PRIMÁRIA

Como já foi dito, este quadro ocorre por uma captação ou produção anormal de Dopamina no SNC e é equivalente ao TDAH (Transtorno de Défict de Atenção e Hiperatividade) em seres humanos.

Como sinais da Hipertatividade Primária encontramos:

Falha para se acalmarem em ambientes neutros;
Pouca atenção;
Baixa treinabilidade;
Exibições agressivas;
Agitação.


A apresentação deste quadro é bem semelhante ao da Hiperatividade Secundária, porém há dois itens de diagnóstico diferencial: avaliar a capacidade de aprendizado e avaliar a resposta ao tratamento farmacológico.

Um cão primariamente hiperativo não consegue aprender com a mesma facilidade de um cão "normal". Então, um teste simples a ser feito é ensinar um comando simples ao cão, como SENTA,  por exemplo. Se ele aprender com facilidade, é possível descartar o quadro de Hip. Primária. Mas o cão pode não aprender por outras razões, como: ambiente desconhecido, falta de interesse pela recompensa (não gosta do petisco ou acabou de se alimentar, p. ex.) ou dificuldades motoras (displasia coxo-femoral, deslocamento de patela ou características raciais como as patas dos bassets). Nesses casos é importante fazer o diagnóstico medicamnetoso. Cães "normais" ficam mais excitados com o uso de anfetaminas, os cães verdadeiramente hiperativos se acalmam.

HIPERATIVIDADE SECUNDÁRIA

Este tipo de hiperatividade é decorrente de um desequilíbrio entre as necessidades físicas do cão e o que lhe é proporcionado em termos de espaço e interação. O cão pode requerer uma demanda de atividade maior do que lhe é ofericida. Por exemplo, a raça Border Colie foi desenvolvida para pastoreio de ovelhas, são cães bastante ativos. Ter um Border colie em um apartamento pequeno (ou dentro de casa) e não dedicar pelo menos umas 2-3horas de atividade com ele (brincadeiras e passeios) é praticamente uma receita certa para produzir um cão secundariamente hiperativo.



Cães que vivem em espaços pequenos e cães que vivem em ambientes conflituosos também tendem à Hiperatividade Secundária. Alguns cães são hiperativos poque aprenderam a sê-lo, a única maneira de ter a atenção das pessoas é comportando-se como o personagem Taz da Warner Bros.



A hiperatividade primária ou secundária é um forte argumento para que todo cão seja educado desde filhote e que a opção, a escolha e a interação do proprietário com o cão sejam orientadas por um profissional.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Coprofagia Canina

A coprofagia é um comportamento que enoja muitos proprietários. Ver seu cão comendo fezes, admito, não é a visão mais bonita do mundo. Mas, que problemas tal comportamento pode trazer e por que ele acontece?

A consequência clínica da coprofagia vai depender da qualidade do "produto" que o cão está ingerindo. As fezes podem ser veiculadoras que bactérias patogênicas e parasitas. Mas, se o "produtor" é saudável e conhecido, o risco reduz-se significativamente. Talvez a principal consequência da coprofagia seja a rejeição do cão pela família humana com que ele vive. As pessoas tendem a ter nojo do cão ao vê-lo degustar fezes e isso pode gerar ansiedade no cão que não sabe por que está sendo rejeitado.

A coprofagia pode não ser nada de mais ou pode ser sinal que há alguma coisa errada na nutrição do cão ou em sua qualidade de vida.

Por que acontece?

Cães têm uma natureza coprófaga. Ou seja, fezes fazem parte do cardápio natural dos cães desde antes da domesticação da espécie. Há uma teoria que diz que a coprofagia inclusive aproximou o canídeo primitivo do ser humano primitivo. Coincidência ou não, a domesticação do cão iniciou-se na mesma época em que o ser humano deixa de ser nômade e passa a fixar residência. Enquanto era nômade, o destino das suas fezes não era um problema muito sério, visto que eles viviam literalmente evacuando (para economizar um termo mais chulo) e andando. Suas migrações faziam com que deixassem para trás as latrinas como estivessem. No momento em que fixam residência, as latrinas passam a ser um problema. Eis o que sugere  REID (2009):

“Os seres humanos desde o início da domesticação disponibilizaram aos  canídeos uma fonte de alimento rico em restos alimentares humanos e resíduos de fezes e os animais foram tolerados
talvez até mesmo encorajados, próximos a assentamentos humanos para desempenhar o seu papel como unidade de eliminação de lixo biológico.”

Então é perfeitamente comum que o cão procure nutrientes nessa fonte pouco convidativa para nós humanos. Fezes humanas têm muitos nutrientes "sobrando", principalmente proteínas e gorduras o que as tornam muito atrativas. Fezes de gato também são ricas em proteínas. Fezes de herbívoros são ricas em fibras. Se o caso de coprofagia do seu cão se enquadra nessas opções, pouco provavelmente ele tem algum problema.

Se ele ingere fezes de outros cães, pode estar também buscando nutrientes ou pode ser um comportamento movido pela hierarquia social, na qual o mais submisso acaba ingerindo as fezes do mais dominante. Ainda nesse contexto no qual a opção do menu são fezes caninas, as fêmeas naturalmente ingerem as fezes dos seus filhotes até 15-21 dias de vida. 

Agora se ele ingere as próprias fezes? 

Algumas raças, como o Shi tzu, o Lhasa e o Pug têm predisposição para este comportamento. Portanto, a motivação é congênita.

Alguns cães em seu período "pré-adolescente" também desenvolvem naturalemente este hábito. Neste caso, se ninguém reforçar o comportamento ele pode se extinguir quando este animal amadurecer. Por falar em reforço, a coprofagia é um comportamento autorrecompensador. O cão se sente premiado pelo próprio objeto que o leva ao comportamento. Fato que pode dificultar o tratamento, visto que o cão é reforçado sempre que o faz. Mas, há um outro reforço importante para esse comportamento, que é a atenção do proprietário. Dar atenção até mesmo para dar uma bronca no cão é uma forma de reforço, principalmente se há pouca interação entre o cão e o proprietário em outros contextos. Por isso, o cão pode ingerir fezes para chamar a atenção do proprietário. O proprietário também pode ser "culpado" da coprofagia por ter induzido o cão à coprofagia, no momento em que o puniu severamente por ele ter "descomido" em local inapropriado.

Até aqui, a coprofagia é ou um comportamento normal ou um comportamento aprendido. Mas, como eu disse, a coprofagia pode ser sinal de alterações clínicas no cão. Qualquer alteração hormonal aque aumente a sensação de fome (hiperadreno, hipertireoidismo ou diabetes) podem fazer com que o cão busque nas fezes a complementação da dieta que ele acha que está faltando.

Quadros de déficit nutricional (baixa qualidade da ração ou verminoses) também podem levar o cão à coprofagia. Nos casos em que a coprofagia é sintoma, ela vem acompanhada de outros sintomas que configurem o quadro mórbido original.

A coprofagia pode ser sinal de que a qualidade de vida do cão está abaixo do esperado. Cães que vivem em ambientes de conflito permanete (ele com outros cães, ele com algum familiar ou os familiares entre si) ou viva com espaço e/ou nivel de atividade inadequados também podem usar a coprofagia como "válvula de escape". Neste caso é importante que se busque a origem do problema para extinguir a coprofagia.

Concluindo, a coprofagia isoladamente pode não ser nenhum distúrbio sério de comportamento, mas pode ser sinal de que o cão tem algum problema clínico ou que seja necessário proporcionar mais qualidade de vida para o cão.

REID, P. J. Adapting to the human world: Dogs’ responsiveness to our social cues  Behavioural Processes, 80 (3):325-333, 2009.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Cães que latem muito II

Esta postagem tem o objetivo de complementar a "Cães que latem muito...". Na referida postagem, eu me referi especificamente à Ansiedade de Separação, mas os cães não latem só nesses casos e isso pode ser observado por quelaquer um que já tenha visto um cão. Por que eles latem? Algum engraçadinho vai dizer: porque eles não sabem falar! Mas é um pouco mais complexo do que isso.

Os cães tiveram sua domesticação iniciada há mais de 10 mil anos. É possível que tenha sido o primeiro animal domesticado e certamente é a espécie que mais sofreu influências humanas diretas em sua evolução. Acredita-se que o ancestral do nosso cão doméstico seja o Lobo Cinzento Europeu. Mas aí alguem que conheça o comortamento dos lobos europeus vai dizer: "Esses animais latem muito pouco, muito pouco mesmo!! Por que o cachorro late tanto?" 

O que nós conhecemos hoje como Canis familiares é um animal fruto de uma forte pressão de seleção artificial. Os seres humanos vêm selecionado os cães e manipulando-os geneticamente por cruzamentos dirigidos há muito tempo. Tal fator é responsável pela imensa diversidade morfológica da espécie que contém desde cães mínimos como o Chiuaua (um adulto pode pesar menos de 1Kg) até cães enormes como o Dinamarques (um adulto pode pesar mais de 80Kg). Essa mesma seleção artificial provocou um fenômeno chamado Neotenia (persistência de comportamentos infantilizados no adulto), tendo uma de suas características a persistência da vocalização além da infância. Falando em português mais claro, o ser humano fez do cão um animal mais vocalizador por desejar tal comportamento. Isso é fácil de perceber, pois há raças que praticamente não latem (Husky siberiano e Basenji, por exemplo). Essas raças não tiveram a seleção de tal característica na sua origem. Da mesma forma, há raças que latem muito (Terrier Brasileiro, Pincher, Doberman, por exemplo).



"Tudo bem, como o programa Latidos 2.0 foi instalado no sistema operacional canino eu já entendi, mas por que eles latem?"

Cães latem por diversas razões: para afugentar um invasor, como forma de intimidação (antes de um ataque), como estratégia de caça, para chamar atenção das pessoas ou  para imitá-las. Sendo importante ressaltar que em grande parte desses contextos há aprendizado no comportamento, ou seja, o cão aprende que latindo consegue o que quer (afugentar o invasor, não ser obrigado a se arriscar em um embate físico, levar a presa para onde quer ou ganhar a atenção das pessoas como prêmio).

Um cão que late no portão e consegue que o pretenso invasor de seu território se vá, teve sua recompensa. Mas normalmente esse contexto não fica tão claro para o transeunte. Se fosse possível traduzir os pensamentos desses dois personagens (o cão guardião e o transeunte) veríamos duas ideias completamnete distintas.

O cão: " Vá embora daqui seu abusado que está invadindo meu território!!! Eu sou the best! Latí um pouquinho e o covarde se foi!"
O transeunte: "Tô indo pra minha casa, doidinho pra jantar. Cachorro chato, toda vez que passo em frente a essa casa, essa peste late pra mim. Bicho inconveniente!!!"

O transeunte não sabe que aquele pedaço da calçada é território do cachorro, para ele o muro marca o fim da propriedade instituída e registrada em cartório, a calçada é parte da rua e a rua é pública. Mas o cão pode enxergar limites territoriais superiores aos que lhe impomos e isso pode ser um grande problema quando esse cachorro consegue sair dos limites do portão, pois ele pode atacar esse transeunte desavisado. Ninguém avisou ao cão que o cidadão já iria passar mesmo por ali, ele não iria parar ou entrar mais no território do cão, por isso o peludo se sente o "rei da cocada preta" quando tem sucesso no seu intento de rechaçar o invasor.

Outro contexto comum que se torna queixa por parte de quem convive com o cão é o cachorro que late para o interfone. Imagine a cena: o interfone toca, a pessoa está no quarto e grita "Fulaninho, atende ai pra mim, por favor?!" O cachorro aprende que quando o interfone toca, tem que gritar (no caso dele latir). Ele aprende a latir por imitação. Mas pode aprender também que ao tocar o interfone há uma séria de mudanças na casa, pois a família se agita por causa da visita. Outro aprendizado é que latir enquanto a pessoa fala no interfone ou telefone é receita certa para chamar sua atenção e ser recompensado com ela. Nem que seja para ouvir um "cala a boca cachorro", que é normalmente gritado instigando mais ainda a brincadeira de latir em grupo.

O cão pode latir como consequência da ansiedade (não a SASA). Um cão que espera receber alguma coisa da pessoa que convive com ele pode ficar ansioso e latir sem parar. Nesse caso há um comportamento eufórico que acompanha o latido ("sapateados", pequenos choros, aumento da frequência respiratória, por exemplo). Neste caso, os latidos sãos sinais de que mais alguma coisa pode estar errada, o cão pode esta realmente precisando de mais atenção e/ou mais atividades físicas e/ou de mais espaço.

Se o seu cachorro late muito e de forma inconveniente, identifique o que está desencadeando o comportamento e passe a ignorá-lo quando ele late. Se tiver dificuldade, procure ajuda profissional para identificar corretamente o contexto desencadeante e para traçar um plano de dessensibilização para ensinar ao cão que latindo ele não conseguirá o que quer.

quinta-feira, 31 de março de 2011

ALTERAÇÕES NO PADRÃO DE COMPORTAMENTO DE CÃES (CANIS FAMILIARIS) IDOSOS, RESIDENTES EM APARTAMENTOS COM SINAIS SUGESTIVOS DA SÍNDROME DE ANSIEDADE DE SEPARAÇÃO


Autores: Guilherme Soares; João Telhado; Rita Paixão

Abstract: Modifications in the behavioral pattern of a indoors senior dog’s (Canis familiaris), with clinical signs of separation anxiety syndrome.  In a evaluation conducted with indoors dog’s owners, in Niterói city, 61 (59,22%) of these dogs showed clinical signs of separation anxiety syndrome. In this group, the animals that were over seven years of age showed more passive behavior, when anticipate the owner’s departure. This fact suggests an adaptive mechanism to the reality of “being alone”, however, that does not necessarily means that they have adapted to being alone. 
 
Key Words: separation anxiety, dogs, animal welfare 
 
INTRODUÇÃO
A Síndrome de Ansiedade de Separação (SAS) é um dos problemas de comportamento mais comumente encontrados em cães de companhia (DENENBERG et al, 2001). Pode acometer até 40% dos cães (SEKSEL e LINDEMAN, 2001), e afeta diretamente a qualidade de vida dos animais (MCMILLAN, 2000), além de trazer consigo uma série de inconvenientes aos proprietários. É normalmente descrita como um grupo de sinais que o  animal apresenta quando fica sozinho em casa ou simplesmente afastado da(s) pessoa(s) com que tem maior vinculo. Os comportamentos mais descritos são: vocalização excessiva, comportamentos destrutivos; eliminações inapropriadas (micção e defecação) (APPLEBY e PLUIJMAKERS, 2003), entretanto alguns animais podem apresentar vômitos ou depressão (MCCRAVE, 1991). Os animais começam a modificar seu comportamento quando os proprietários se preparam para sair (APPLEBY e PLUIJMAKERS, 2003). Existem relatos de fatores que possam predispor esse quadro dentre eles: raça (MCCRAVE, 1991), sexo (TAKEUCHI et al, 2001), idade (HOWITZ, 2001), proprietários ansiosos (OFARELL, 1997) e animais que convivem com uma única pessoa (SCHWARTZ, 2003). 
 
MATERIAL E MÉTODOS
Foram distribuídos 161 questionários a proprietários de cães de apartamento no município de Niterói-RJ. Os questionários foram desenvolvidos para identificar sinais compatíveis com a SAS e identificar se algumas rotinas e manejos interferiam de alguma maneira o problema. Nesses questionários havia a pergunta “Como seu cão se comporta quando você se prepara para sair?”. Os questionários foram distribuídos de forma aleatória aos proprietários de cães, em clinicas veterinárias e lojas especializadas no bairro de Icaraí. 
 
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Dos 161 proprietários abordados, 103 responderam e devolveram os questionários, e foram encontrados sinais compatíveis com a síndrome em 61 (59,22%) desses, sendo que um dos proprietários não informou a idade do cão, reduzindo o número de animais para 60 nesta análise. Neste grupo de 60, 25 animais tinham idade superior a sete anos e a maioria mostrou reagir de maneira diferente do grupo  de 35 animais com menos de sete anos (χ2=4,571; GL=1; p=0,016, α=0,05) (figura 1). O grupo de idosos, ao antecipar a partida do proprietário se comportou de maneira mais passiva. Os proprietários descrevem mais o comportamento de “ir para um cantinho e ficar quieto” em 19 (76,00%) cães do grupo idoso. O que, comparado aos 17 (48,57%) animais do grupo mais jovem (com menos de 7 anos) que foram descritos reagir da mesma maneira, pode sugerir uma forma de adaptação a uma realidade imutável para esses animais de companhia. Este resultado sugere uma diminuição na qualidade de vida dos cães que, teoricamente, têm mais proximidade e cuidados mais zelosos de seus proprietários.







REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
APPLEBY, D.; PLUIJMAKERS, J. Separation anxiety in dogs: The function of homeostasis in its development and treatment, Veterinary Clinics of North America: Small Animal Practice, v. 33, n. 2, p. 321-344, 2003.
DENENBERG, S.; LANDSBERG, G. M.; HORWITZ, D.; SEKSEL, K. A Comparison of Cases Referred to Behaviorists in Three Different Countries, in: MILLS, D.; LEVINE, E.; LANDSBERG, G.; HORWITZ, D.; DUXBURY, M.; MERTENS, P.; MEYER, K.; HUNTLEY, L. R.; REICH, M.; WILLARD, J. Current Issues and Research in Veterinary Behavioral Medicine: Papers Presented at the 5th International Veterinary Behavior Meeting, Indiana: Purdue University Press, 2005, 300p., p.56-62.
HORWITZ, D. F. Dealing with common behavior problems in senior dogs, Veterinary Medicine, v. 96, n. 11, p. 869-877, 2001.
MCCRAVE, E. A. Diagnostic criteria for separation anxiety in the dog, Veterinary Clinics of North America: Small Animal Practice, v. 21, p.247-256, 1991.
MCMILLAN, F. D. Quality of life in animals, Journal of American Veterinary Medical Association, v. 216, n. 12, p. 1904-1910, 2000.
O´FARRELL, V. Owner attitudes and dog behaviour problems, Applied Animal Behaviour Science, n. 52, p. 205-213, 1997.
SCHWARTZ, S. Separation anxiety syndrome in dogs and cats, Journal of American Veterinary Medical Association, v. 222, n. 11, 2003. Disponível em:. Acesso em 27 outubro 2005.
SEKSEL, K.; LINDEMAN, M. J. Use of clomipramine in treatment of obsessive-compulsive disorder, separation anxiety and noise phobia in dogs: a preliminary, clinical study, Australian Veterinary Journal, v. 79, n. 4, p. 252-256, 2001.
TAKEUCHI, Y.; HOUPT, K. A. Behavior Genetics, Veterinary Clinics of North America: Small Animal Practice, v. 2, n. 33, p. 345-363, 2003.


Trabalho apresentado em forma de pôster e seu resumo publicado nos anais (na página  207) do no XXV Encontro Anual de Etologia - São José do Rio Preto – 2007

LEVANTAMENTO DE CARACTERÍSTICAS SUGESTIVAS DE DOMINÂNCIA APRESENTADAS POR CÃES (CANIS FAMILIARIS) DE APARTAMENTO

Autores: Guilherme Soares; João Telhado; Rita Paixão
Abstract: Survey on dominance characteristics displayed by indoor dogs (Canis Familiaris).  Dominance, according with researches conducted in many countries, is the main motive of aggression directed to human beings. This fact put dogs dominance in highlight on the human-animal interaction and in companion animal welfare. In a survey conducted with indoors dog owners in Niterói, RJ, a group of 62 (60,2%) dogs showed dominance  signs with and without aggressive reactions. These results suggest that more researches on dog dominance and its impact on dog-human interactions are fundamental. 
Key Words: dominance, dogs, animal welfare, interaction animal-man

INTRODUÇÃO
A dominância é um fator importante na organização hierárquica dos canídeos (CAMERON, 1997). Tal característica herdada pelos cães domésticos vem sofrendo influências humanas e, de acordo com estudos em diversos países como Espanha (FATÓ et al, 2006), Dinamarca (RUBJERG et al, 2003), EUA (TAKEUCHI et al, 2001), Austrália e Canadá (DENENBERG et al, 2005), é o principal motivador de agressões contra seres humanos. Este fato coloca a dominância dos cães de companhia em destaque no que diz respeito à interação homem-animal e ao bem-estar desses animais, já que diversos cães são eutanasiados por esta causa. Nos Estados Unidos da América, cerca de 20 milhões de cães são abandonados ou submetidos à eutanásia por ano devido a problemas comportamentais (SEKSEL, 1997). Mais de dez mil anos de convivência com o homem fez do cão doméstico uma espécie ímpar, que apresenta semelhanças com seus ancestrais selvagens, mas que tem suas particularidades, o que necessita mais estudos focados para esse tipo de relação.
 
MATERIAL E MÉTODOS
Foram aplicados 161 questionários a proprietários de cães de apartamento no município de Niterói-RJ. Os questionários foram desenvolvidos para identificar sinais compatíveis com diversos problemas de comportamento e neles havia as seguintes perguntas: “Em que situações seu cão rosna ou tenta morder?”; “Seu cão tem o hábito de copular com as pernas das pessoas ou outro objeto?” e “Como seu cão se posiciona em relação ao condutor quando andam na rua?”. Os questionários foram distribuídos em clínicas veterinárias e lojas especializadas no bairro de Icaraí, de forma aleatória a proprietários de cães residentes em apartamentos. Foram considerados com comportamentos sugestivos de dominância aqueles cães que andavam na frente e/ou puxando a guia de seus condutores, exibiam comportamento de monta indevida e demonstravam reações agressivas quando acordados ou contrariados ou quando mexiam em seu comedouro. 
 
RESULTADOS E DISCUSSÃO
A partir de 103 questionários respondidos e devolvidos pelos proprietários, foi caracterizado um grupo de 62 cães (60,2%) (Figura 1) com características sugestivas de dominância. Essa relação e essa diferença de estrutura hierárquica entre as espécies merecem ser mais bem estudadas a fim de aprimorar a interação e melhorar a qualidade de vida de ambos.
  
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CAMERON, D.B. Canine dominance-associated aggression: concepts, incidence, and treatment in a private behavior practice, Applied Animal Behaviour Science, n. 52, p. 265-274, 1997.
DENENBERG, S.; LANDSBERG, G. M.; HORWITZ, D.; SEKSEL, K. A Comparison of Cases Referred to Behaviorists in Three Different Countries, in: MILLS, D.; LEVINE, E.; LANDSBERG, G.; HORWITZ, D.; DUXBURY, M.; MERTENS, P.; MEYER, K.; HUNTLEY, L. R.; REICH, M.; WILLARD, J. Current Issues and Research in Veterinary Behavioral Medicine: Papers Presented at the 5th International Veterinary Behavior Meeting, Indiana: Purdue University Press, 2005, 300p., p.56-62.
FATJÓ, J; RUIZ-DE-LA-TORRE, J. L.; MANTECA, X. The epidemiology of behavioural problems in dogs and cats a survey of veterinary practitioners. Animal Welfare, n. 15, p. 179-185, 2006.
RUGBJERG, H.; PROSCHOWSKY, H. F.; ERSBOLL, A. K.; LUND, J. D. Risk factors associated with interdog aggression and shooting phobias among purebred dogs in Denmark, Preventive Veterinary Medicine, n. 58, p. 85-100, 2003.
SEKSEL, K. Puppy Socialization Classes, Veterinary Clinics of North America: Small Animal Practice, v. 27, n. 3, p. 465-475, 1997.
TAKEUCHI, Y.; OGATA, N.; HOUPT, K. A.; SCARLETT, J. M. Differences in background and outcome of three behavior problems of dogs, Applied Animal Behaviour Science, n. 70, p. 297-308, 2001.
 
Trabalho apresentado em forma de pôster e seu resumo publicado nos anais (na página  208) do no XXV Encontro Anual de Etologia - São José do Rio Preto - 2007

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