Quem sou eu

Niterói, RJ
Médico Veterinário que trabalha no tratamento e no estudo de distúrbios de comportamento em cães e gatos. CV Lattes: http://lattes.cnpq.br/9116323178127878
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quinta-feira, 31 de março de 2011

LEVANTAMENTO DE CARACTERÍSTICAS SUGESTIVAS DE DOMINÂNCIA APRESENTADAS POR CÃES (CANIS FAMILIARIS) DE APARTAMENTO

Autores: Guilherme Soares; João Telhado; Rita Paixão
Abstract: Survey on dominance characteristics displayed by indoor dogs (Canis Familiaris).  Dominance, according with researches conducted in many countries, is the main motive of aggression directed to human beings. This fact put dogs dominance in highlight on the human-animal interaction and in companion animal welfare. In a survey conducted with indoors dog owners in Niterói, RJ, a group of 62 (60,2%) dogs showed dominance  signs with and without aggressive reactions. These results suggest that more researches on dog dominance and its impact on dog-human interactions are fundamental. 
Key Words: dominance, dogs, animal welfare, interaction animal-man

INTRODUÇÃO
A dominância é um fator importante na organização hierárquica dos canídeos (CAMERON, 1997). Tal característica herdada pelos cães domésticos vem sofrendo influências humanas e, de acordo com estudos em diversos países como Espanha (FATÓ et al, 2006), Dinamarca (RUBJERG et al, 2003), EUA (TAKEUCHI et al, 2001), Austrália e Canadá (DENENBERG et al, 2005), é o principal motivador de agressões contra seres humanos. Este fato coloca a dominância dos cães de companhia em destaque no que diz respeito à interação homem-animal e ao bem-estar desses animais, já que diversos cães são eutanasiados por esta causa. Nos Estados Unidos da América, cerca de 20 milhões de cães são abandonados ou submetidos à eutanásia por ano devido a problemas comportamentais (SEKSEL, 1997). Mais de dez mil anos de convivência com o homem fez do cão doméstico uma espécie ímpar, que apresenta semelhanças com seus ancestrais selvagens, mas que tem suas particularidades, o que necessita mais estudos focados para esse tipo de relação.
 
MATERIAL E MÉTODOS
Foram aplicados 161 questionários a proprietários de cães de apartamento no município de Niterói-RJ. Os questionários foram desenvolvidos para identificar sinais compatíveis com diversos problemas de comportamento e neles havia as seguintes perguntas: “Em que situações seu cão rosna ou tenta morder?”; “Seu cão tem o hábito de copular com as pernas das pessoas ou outro objeto?” e “Como seu cão se posiciona em relação ao condutor quando andam na rua?”. Os questionários foram distribuídos em clínicas veterinárias e lojas especializadas no bairro de Icaraí, de forma aleatória a proprietários de cães residentes em apartamentos. Foram considerados com comportamentos sugestivos de dominância aqueles cães que andavam na frente e/ou puxando a guia de seus condutores, exibiam comportamento de monta indevida e demonstravam reações agressivas quando acordados ou contrariados ou quando mexiam em seu comedouro. 
 
RESULTADOS E DISCUSSÃO
A partir de 103 questionários respondidos e devolvidos pelos proprietários, foi caracterizado um grupo de 62 cães (60,2%) (Figura 1) com características sugestivas de dominância. Essa relação e essa diferença de estrutura hierárquica entre as espécies merecem ser mais bem estudadas a fim de aprimorar a interação e melhorar a qualidade de vida de ambos.
  
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CAMERON, D.B. Canine dominance-associated aggression: concepts, incidence, and treatment in a private behavior practice, Applied Animal Behaviour Science, n. 52, p. 265-274, 1997.
DENENBERG, S.; LANDSBERG, G. M.; HORWITZ, D.; SEKSEL, K. A Comparison of Cases Referred to Behaviorists in Three Different Countries, in: MILLS, D.; LEVINE, E.; LANDSBERG, G.; HORWITZ, D.; DUXBURY, M.; MERTENS, P.; MEYER, K.; HUNTLEY, L. R.; REICH, M.; WILLARD, J. Current Issues and Research in Veterinary Behavioral Medicine: Papers Presented at the 5th International Veterinary Behavior Meeting, Indiana: Purdue University Press, 2005, 300p., p.56-62.
FATJÓ, J; RUIZ-DE-LA-TORRE, J. L.; MANTECA, X. The epidemiology of behavioural problems in dogs and cats a survey of veterinary practitioners. Animal Welfare, n. 15, p. 179-185, 2006.
RUGBJERG, H.; PROSCHOWSKY, H. F.; ERSBOLL, A. K.; LUND, J. D. Risk factors associated with interdog aggression and shooting phobias among purebred dogs in Denmark, Preventive Veterinary Medicine, n. 58, p. 85-100, 2003.
SEKSEL, K. Puppy Socialization Classes, Veterinary Clinics of North America: Small Animal Practice, v. 27, n. 3, p. 465-475, 1997.
TAKEUCHI, Y.; OGATA, N.; HOUPT, K. A.; SCARLETT, J. M. Differences in background and outcome of three behavior problems of dogs, Applied Animal Behaviour Science, n. 70, p. 297-308, 2001.
 
Trabalho apresentado em forma de pôster e seu resumo publicado nos anais (na página  208) do no XXV Encontro Anual de Etologia - São José do Rio Preto - 2007

DETERMINAÇÃO DE TENDÊNCIA À DOMINÂNCIA EM CÃES DA RAÇA RETRIEVER DO LABRADOR


Autores: Guilherme Soares; João Telhado; Rita Paixão

RESUMO

Em virtude da importância das agressões por dominância na área da etologia clínica pelo mundo, em 2006, um grupo de pesquisadores espanhóis estudou o efeito do sexo e da cor da pelagem na tendência a dominância em cães da raça Cocker Spaniel Inglês. No presente estudo, a  metodologia foi repetida para avaliar os mesmos parâmetros em cães da raça Retriever do Labrador. O teste de Campbell foi realizado em 122 filhotes, entre seis e oito semanas de vida e os resultados comparados estatisticamente. Os resultados não evidenciaram diferenças entre os sexos (p=0,86), mas diferenças significativas em relação à cor de pelagem na tendência à dominância no Labrador. Os pretos tiveram maior pontuação global em relação aos amarelos (p=0,02) e aos chocolates (p<0,01).

PALAVRAS-CHAVE: comportamento canino, agressão, bem-estar animal.

INTRODUÇÃO

Ataques de cães a seres humanos geram um sério problema de saúde publica, por exemplo, nos Estados Unidos da América (EUA) o custo anual do sistema público de saúde excede cem milhões de dólares com o tratamento de pessoas atacadas por cães (OVERALL & LOVE, 2001).  A agressão canina ocorre em diversos contextos, dentre eles: predação, defesa territorial, por medo, por dor ou por dominância (LUESCHER & REISNER, 2008). Esse último contexto caracteriza-se por envolver pessoas da família que convive com o cão e por ser motivado por disputas hierárquicas entre o cão e pessoas do seu convívio social (CAMERON, 1997). O contexto de agressão por dominância é citado como  mais frequente nos serviços de etologia clínica em todo o mundo (LANDSBERG, 1990).  Para prevenir este tipo de problema, William Campbell, em 1972, desenvolveu um teste para selecionar filhotes visando à adequação destes com seus novos proprietários e suas famílias (CAMPBELL, 1972). O teste de Campbell identifica o grau de dominância ou submissão do filhote. Aproveitando essa característica, Joaquim Pérez Guisado e seus colaboradores (2006) aplicaram este teste em um grupo de filhotes de cães da raça Cocker Spaniel Inglês e relacionaram maior tendência à dominância aos machos e aos cães de pelagens sólidas comparadas aos de duas ou três cores. Buscando essa mesma relação em outra raça, o presente estudo objetiva, através do teste de Campbell, determinar se há influência de sexo ou cor da pelagem na tendência à dominância em cães da raça Retriever do Labrador.

MATERIAL E MÉTODO

Filhotes de cães da raça Retriever do Labrador (52 fêmeas e 70 machos) foram submetidos ao teste comportamental para seleção de filhotes (Campbell, 1972). Todos os 122 cães tinham idade compreendida entre seis e oito semanas. O teste foi realizado nos canis de origem e  pela mesma pessoa em todos os filhotes, pessoa esta que não tivera contato anterior com eles até então e não exibiu qualquer emoção durante os testes. O teste de Campbell é dividido em cinco etapas, cada uma delas corresponde a uma manipulação feita com o filhote, na qual a resposta do filhote é avaliada e classificada como: muito dominante, dominante, submisso, muito submisso e independente/medroso, recebendo notas decrescentes de cinco a um para cada classificação respectivamente. As etapas do teste são: (1) Atração Social - em uma área de ao menos 3m2, o testador põe o filhote de frente para uma parede, se agacha e chama o filhote batendo palmas sem fazer muito barulho, observa se o filhote atende ou não esse chamado e como ele o faz; (2) A Seguir – na mesma área da etapa anterior, o testador põe o filhote encostado na parede, mas virado para si, tendo certeza que tem a atenção do filhote e começa a andar para o centro da área, observando se o filhote o segue e como o faz; (3) Contenção – o testador põe o filhote em decúbito dorsal, o contém nesta posição por aproximadamente 30 segundos e observa sua reação; (4) Dominância Social – o testador põe o filhote em decúbito ventral, em posição de esfinge, com uma mão o contém na nuca, com a outra afaga seu dorso por aproximadamente 30 segundos e observa a reação do filhote; (5) Dominância elevada – o testador contém o filhote com as mãos em torno do tórax do animal e o levanta do solo aproximadamente 20 cm e observa a reação do filhote. As pontuações foram tabuladas e comparadas estatisticamente através do programa BioEstat® 5.0, com nível de significância de 5% (α=0,05).

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Após a realização do teste estatístico de Mann-Whitney, não houve diferença significativa entre os sexos para as pontuações dos testes de uma maneira geral nem na comparação das etapas do teste de Campbell individualmente (tabela1). Tal resultado mostra diferença entre as raças Retriever do Labrador e Cocker Spaniel Inglês. No trabalho realizado por Pérez-Guisado e colaboradores, o Cocker Spaniel Inglês teve diferença significativa entre os sexos, sendo os machos mais tendenciosos à dominância naquele estudo. Essa diferença entre as raças pode ser decorrente da idade em que os testes foram feitos, entre seis e oito semanas, já que os Cockers tendem a ser mais precoces do que os Labradores, em decorrência do porte. Cães maiores amadurecem mais tarde, tanto em relação à puberdade quanto ao comportamento (BEAVER, 2001). Mas essa é a idade preconizada para a realização do teste sem distinção de raça pelo autor do teste (CAMPBELL, 1972), e essa mesma faixa  etária foi seguida pelos pesquisadores espanhóis. Como não houve diferença entre os sexos, a avaliação de tendência à dominância relacionada à cor de pelagem teve o total de cães dividido em três grupos (38 Amarelos, 52 Pretos e 32 Chocolates). Na avaliação global do teste, houve diferença significativa entre pretos e amarelos (p=0,02) e pretos e chocolates (p<0,01). Em todas as fases do teste os pretos tiveram diferença significativa em suas pontuações em relação aos chocolates, menos na etapa “A Seguir”,  na qual os três grupos se igualaram estatisticamente (tabela 2). Já em relação aos amarelos, os pretos mostraram-se com maior tendência à dominância na etapa de “Dominância Social”, não tendo diferenças significativas nas demais. Amarelos e chocolates não tiveram diferença significativa em nenhuma das etapas do teste assim como na avaliação global. Os autores espanhóis também encontraram relação da cor da pelagem com tendência à dominância nos cães da raça Cocker Spaniel Inglês, naquele estudo os dourados mostraram-se mais tendenciosos à dominância que os pretos e estes mais que os bi ou tricolores, resultados que corroboraram os de outra pesquisa realizada nos EUA (PODBERSCEK & SERPELL, 1996)

REFERÊNCIAS

BEAVER, B.V. Comportamento Canino: um guia para veterinários , São Paulo: Roca, 2001 431p.
CAMERON, D.B. Canine dominance-associated aggression: concepts, incidence, and treatment in a private behavior practice, Appl. Anim. Behav. Sci,. 52, 265-274, 1997.
CAMPBELL, W. E. A behavior test for puppy selection. Mod. Vet. Pract., v. 53, n. 12, p. 29-33, 1972.
LANDSBERG, G. Diagnosing dominance aggression, Can Vet J., 31, 45-46, 1990
LUESCHER, A. U. ; REISNER, I. R. Canine Aggression Toward Familiar People: A New Look at an Old Problem, Vet. Clin. Sm. Anim. Pract., 38, 1107–1130, 2008.
OVERALL, K.L.; LOVE, M. Dog bites to humans - demography, epidemiology, injury, and risk. J. Am. Vet. Med. Asso., 218, 1923-1934, 2001.
PÉREZ-GUISADO, J.; LOPEZ-RODRÍGUEZ, R.; MUÑOZ-SERRANO, A. Heritability of dominant–aggressive behaviour in English Cocker Spaniels, Appl. Anim. Behav. Sci. 100, 219–227, 2006.
PODBERSCEK, A.L., SERPELL, J.A. The English Cocker Spaniel: preliminary findings on agressive behaviour. Appl. Anim. Behav. Sci. 47, 75–89, 1996.

TABELAS

Tabela1: Comparação de tendência à dominância através do teste de Campbell em filhotes machos (n=70) e fêmeas (n=52) de cães da raça Retriever do Labrador
Etapa do Teste
Machos
(pontuação média)
Fêmeas
(pontuação média)
Valor p*
Atração Social

3,4
3,1
0,37
A Seguir

3,0
3,4
0,27
Contenção

2,6
2,7
0,35
Dominância Social

2,3
2,4
0,50
Dominância Elevada

2,2
2,1
0,73
Avaliação Global

13,6
13,7
0,86
* Calculado através do teste de Mann-Whitney



Tabela 2: Comparação de tendência à dominância através do teste de Campbell em filhotes de cães da raça Retriever do Labrador tomando como parâmetro a cor da pelagem
Etapa do Teste
Amarelos
(pontuação média)
Pretos
(pontuação média)
Chocolates
(pontuação média)
Amarelos x Pretos (valor p*)
Amarelos X Chocolates (valor p*)
Pretos X Chocolates (valor p*)
Atração Social
2,9
2,0
3,2
§
§
§

A Seguir

3,1
2,7
2,5
0,18
0,14
<0,01

Contenção

2,5
2,9
2,2
0,05
0,21
<0,01
Dominância Social
2,0
3,6
2,2
<0,01
0,40
0,04
Dominância Elevada
2,4
3,6
2,0
0,06
0,14
0,84
Avaliação Global
13,0
14,9
12,3
0,02
0,52
<0,01
* Calculado através do teste de Student-Newman-Keuls
§ o teste de Student-Newman-Keuls não foi realizado porque o teste de  Kruskal-Wallis teve como resultado p=0,08

Trabalho apresentado na forma de pôster com resumo publicado na página 234 dos anais do 37º Congresso Brasileiro de Medicina Veterinária - Rio de Janeiro- 2010

quarta-feira, 30 de março de 2011

AGRESSIVIDADE EM CÃES DE APARTAMENTO NO MUNICÍPIO DE NITERÓI-RJ

GUILHERME MARQUES SOARES ; JOÃO TELHADO ; RITA LEAL PAIXÃO

ABSTRACT: Aggressiveness in apartment dogs in Niterói-RJ city. Aggressiveness is always related with dog’s larger breeds, but is easy to see the smaller ones showing the same behavior problem. In this study, after examine 161 questionnaires that asked to dog’s owners that leaves in apartments in Niterói-RJ, about witch situations the dogs growls or try to bite, just 12,6% never showed any aggressive behavior. These results shows that have something wrong on the human-dog relationship that needs to be better studied.

KEY WORDS. Aggressiveness, Dog Behavior, Animal welfare

INTRODUÇÃO

A agressividade é o principal problema de comportamento que leva proprietários a procurarem atendimento veterinário especializado[1;2;3] . Nos Estados Unidos da América, cerca de 20 milhões de cães são abandonados ou submetidos a eutanásia anualmente por causa de problemas comportamentais[4] . A agressividade comumente está relacionada com a forma com que os proprietários interagem com o cão[5;6;7] . Um fator que contribui para aumentar as respostas agressivas é a idade, ou seja, animais quando atingem a fase senil de suas vidas tendem a se mostrarem mais agressivos[8] . Destaca-se a importância da prevenção da agressividade em quaisquer tamanhos ou raças de cães. Ainda que os de maior porte tragam um risco inerente maior, decorrente da potencial contundência de seus ataques, agressões oriundas de pequenos cães de companhia são traduzidas por seus proprietários como uma forma de traição[2] , acarretando perda na qualidade de vida de ambos. Este levantamento destina-se a quantificar e qualificar alguns aspectos relacionados à agressividade canina direcionada a seres humanos.

MATERIAL E MÉTODOS

Foram aplicados 161 questionários a proprietários de cães de apartamento no município de Niterói-RJ. Nesses questionários havia a pergunta “Quando seu cão rosna ou tenta morder” seguida de onze respostas fechadas e uma opção para o proprietário descrever alguma situação que não estivesse listada. As opções foram: “ao ser escovado”; “ao mexer-se no comedouro”; “pessoas desconhecidas”; “animais desconhecidos”; “ao ser contrariado”; “quando acordado”; “para cortar as unhas”; “para limpar ouvido”; “ao ser medicado”; “ao ser examinado pelo veterinário” e “no serviço de banho e tosa”. Os questionários foram distribuídos em clinicas veterinárias e lojas especializadas no bairro de Icaraí, de forma aleatória a proprietários de cães residentes em apartamentos.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Responderam e devolveram o questionário 103 proprietários e desses, 90 proprietários (87,4%) relataram que seus cães apresentam agressividade (rosnam ou tentam morder) em pelo menos uma situação (figura1), número compatível com estudo já publicado[9] , 46 (44,7%) em ao menos 2 situações, 23 (22,3%) em ao menos três e 8 (7,8%) em quatro ou mais situações. As ocasiões que mais desencadeiam respostas agressivas são: quando contrariados (30,1%) e para animais desconhecidos (30,1%). O primeiro caso pode caracterizar um perfil dominante [2] dos animais ou ao menos uma dificuldade de controle dos proprietários sobre seus cães. O segundo, assim como o terceiro que foi a presença de pessoas desconhecidas (22,3%) refletem uma falha no processo de socialização [10] desses animais. Alguns procedimentos, que podem ser dolorosos, com potencial para desencadear episódios de agressão reativa à dor também se encontram listados: quando escovados (13,6%); ao cortar as unhas (12,6%) e ao limpar ouvido (9,7%), tais percentuais podem ser diferentes de trabalho já publicado em virtude de muitos desses animais apenas serem submetidos a esses procedimentos nos serviços de banho e tosa de clínicas e lojas especializadas, que podem não informar aos proprietários a ocorrência de tais episódios[11]. A ocorrência de agressividade no serviço de banho e tosa (8,7%) também foi aquém de dados já publicados[11] . Outros itens como: ao mexer-se no comedouro (9,741%); ao ser acordado (4,8%); e ao mexer-se nos pertences do cão (2,9%); que caracterizem dominância ou dificuldades no manejo dos animais por parte dos proprietários aparecem em menor número, mas compondo o mesmo quadro do primeiro item já relatado e discutido. Fatos que interessam muito aos Médicos Veterinários que atuam na clínica médica de pequenos animais são os relatos de 6 proprietários (5,8%) que seus cães reagem agressivamente durante o exame clínico e 8 (7,8%) ao serem medicados. Neste estudo existem vários indícios de um grande número de animais têm na dominância e na falta de socialização primária suas grandes motivações para exibir comportamentos agressivos. Um dos principais argumentos para caracterizar a dominância dos cães como motivador da agressividade é a própria metodologia empregada onde se baseou a amostragem em proprietários de cães residentes em apartamentos, levando-se a crer que os comportamentos agressivos ocorriam em âmbito doméstico[12] . A maioria desses episódios descritos poderia ser evitada com correta orientação dos proprietários com noções de hierarquia e comunicação caninas e com trabalhos de socialização e educação básica desses animais[10].


Figura 1 – Contextos ou atividades citadas pelos proprietários, nas quais seus cães rosnam ou tentam morder.













REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. DENENBERG, S.; LANDSBERG, G.M.; HORWITZ, D.; SEKSEL, K.. In: MILLS, D.; LEVINE, E.; LANDSBERG, G.; HORWITZ, D.; DUXBURY, M.; MERTENS, P.; MEYER, K.; HUNTLEY, L. R.; REICH, M.; WILLARD, J. Current Issues and Research in Veterinary Behavioral Medicine. Indiana: Purdue University Press, 2005, p. 56-62.
2. LANDSBERG, G.; HUNTHAUSEN, W.; ACKERMAN, L. Problemas Comportamentais do Cão e do Gato. 2 ed., São Paulo: Roca, 2004. 492p.
3. WRIGTH, J.C. Vet. Clin. North Am.: Small An. Pract...21, (2): 299-314, 1991.
4. SEKSEL, K. Vet. Clin. North Am.: Small An. Pract., 27 (3) : 465-475, 1997.
5. BENNETT, P.L.; ROHLF, V.I. App. An. Behaviour Science, 102 : 65–84, 2007.
6. JAGOE, A; SERPELL, J. App. An. Behaviour Science, 47 : 3l-42, 1996.
7. O´FARRELL, V. App. An. Behaviour Science, 52 : 205-213, 1997.
8. HORWITZ, D.F. Vet. Med., 96 (11) :.869-877, 2001.
9. GUY, N.C.; LUESCHER, U.A.; DOHOO, S.E.; SPANGLER, E.; MILLER, J.B.; DOHOO, L.R.; BATE, L.A. App. An. Behaviour Sci., 74 : 43-57, 2001.
10. SERRA, C.M. Avaliação de um método para socialização primária de filhotes de cães domésticos e seus efeitos nos participantes, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, 87p. (Tese de Mestrado), 2005.
11. SOARES, G. M.; EPPINGHAUS, J. V.; RAMOS A. C. F. Revista Nosso Clínico, 49 : 60-64, 2006.
12. CAMERON, D.B. App. An. Behaviour Sci., 52: 265-274, 1997.

Este resumo espandido foi publicado na Revista da Universidade Rural, Série Ciências da Vida - Seropédica, RJ, EDUR, v. 27, suplemento, 2007. p. 324-325

terça-feira, 20 de maio de 2008

Pit Bulls Voltam ao Ataque

Hoje, li duas matérias no http://www.g1.com.br/ onde cães da raça Pit Bull atacaram e feriram pessoas, uma jovem em Chapecó (SC) e uma criança de um ano e meio em Caçapava (SP). Nos dois casos os cães eram de pessoas próximas das vítimas, se soltaram de onde estavam presos e partiram para o ataque. Até quando isso vai continuar? Quando faço essa pergunta não me refiro aos Pit Bulls, mas sim à mentalidade estragada que motiva pessoas, sem nenhum preparo e discernimento, a possuirem cães e, o que é pior, cães muito fortes. Outra pergunta que sempre me faço ao ler essas matérias é se os cães são realmente da raça divulgada, já vi muito vira-lata passar por Pit Bull porque atacou alguém.
É necessário que as pessoas tenham consciência da responsabilidade que é "ter" um cão, principalemente um cão grande e forte. Cães são animais, são carnívoros, são predadores, vivem em matilhas e defendem seus territórios com unhas e dentes (mais dentes que unhas). Se esses animais não forem criados para conviver harmonicamente com qualquer pessoa, podem se tornar perigosos. Digo isso para qualquer cão, do Chiuaua ao Dog Alemão. A maioria dos ataques de cães acontecem contra o próprio "dono" ou pessoa de seu convívio próximo. Pouquíssimos são os ladrões, assassinos e meliantes mordidos por cães que frustram suas atividades ilícitas.
Ontem, chamei a atenção para o fato dos proprietários estarem sendo arrastados nas ruas por seus cães. O pior é que uma coisa tem relação com a outra. Um cão que não é controlado durante um passeio onde é ele que leva a pessoa para passear, não será controlado se achar que uma pessoa está invadindo o seu território ou está "ameaçando" (na visão do cão) a sua integridade física ou de alguém próximo a ele.
Está na hora de mudarmos a mentalidade. Está na hora de não permitirmos que esses cães (que são vítimas também) continuem sofrendo e morrendo porque seus "donos" não os ensinaram a viver numa sociedade humana onde matar é crime. Está na hora de cobrarmos de nossos governos leis de gurada responsável, porque existem pessoas que só começam a enxergar a situação quando há uma lei que as puna se não fizerem a coisa certa. Vejam os cintos de segurança dos carros e os capacetes das motos. Ás vezes percorro meus trajetos caminhando e reparando a quantidade de pessoas que andam sem cinto / capacete nas ruas de Niterói. É ridículo que um cidadão tenha que ser punido por não zelar pela sua própria segurança e o mesmo raciocínio vale para a gurada de cães. Se você não quer colocar o cinto, vá a pé. Se não quer colocar o capacete, vá de ônibus (trem, metrô...), se não quer (não sabe, não gosta) educar o seu cão, tenha um bicho de pelúcia!

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