Quem sou eu

Niterói, RJ
Médico Veterinário que trabalha no tratamento e no estudo de distúrbios de comportamento em cães e gatos. CV Lattes: http://lattes.cnpq.br/9116323178127878

quinta-feira, 31 de março de 2011

DETERMINAÇÃO DE TENDÊNCIA À DOMINÂNCIA EM CÃES DA RAÇA RETRIEVER DO LABRADOR


Autores: Guilherme Soares; João Telhado; Rita Paixão

RESUMO

Em virtude da importância das agressões por dominância na área da etologia clínica pelo mundo, em 2006, um grupo de pesquisadores espanhóis estudou o efeito do sexo e da cor da pelagem na tendência a dominância em cães da raça Cocker Spaniel Inglês. No presente estudo, a  metodologia foi repetida para avaliar os mesmos parâmetros em cães da raça Retriever do Labrador. O teste de Campbell foi realizado em 122 filhotes, entre seis e oito semanas de vida e os resultados comparados estatisticamente. Os resultados não evidenciaram diferenças entre os sexos (p=0,86), mas diferenças significativas em relação à cor de pelagem na tendência à dominância no Labrador. Os pretos tiveram maior pontuação global em relação aos amarelos (p=0,02) e aos chocolates (p<0,01).

PALAVRAS-CHAVE: comportamento canino, agressão, bem-estar animal.

INTRODUÇÃO

Ataques de cães a seres humanos geram um sério problema de saúde publica, por exemplo, nos Estados Unidos da América (EUA) o custo anual do sistema público de saúde excede cem milhões de dólares com o tratamento de pessoas atacadas por cães (OVERALL & LOVE, 2001).  A agressão canina ocorre em diversos contextos, dentre eles: predação, defesa territorial, por medo, por dor ou por dominância (LUESCHER & REISNER, 2008). Esse último contexto caracteriza-se por envolver pessoas da família que convive com o cão e por ser motivado por disputas hierárquicas entre o cão e pessoas do seu convívio social (CAMERON, 1997). O contexto de agressão por dominância é citado como  mais frequente nos serviços de etologia clínica em todo o mundo (LANDSBERG, 1990).  Para prevenir este tipo de problema, William Campbell, em 1972, desenvolveu um teste para selecionar filhotes visando à adequação destes com seus novos proprietários e suas famílias (CAMPBELL, 1972). O teste de Campbell identifica o grau de dominância ou submissão do filhote. Aproveitando essa característica, Joaquim Pérez Guisado e seus colaboradores (2006) aplicaram este teste em um grupo de filhotes de cães da raça Cocker Spaniel Inglês e relacionaram maior tendência à dominância aos machos e aos cães de pelagens sólidas comparadas aos de duas ou três cores. Buscando essa mesma relação em outra raça, o presente estudo objetiva, através do teste de Campbell, determinar se há influência de sexo ou cor da pelagem na tendência à dominância em cães da raça Retriever do Labrador.

MATERIAL E MÉTODO

Filhotes de cães da raça Retriever do Labrador (52 fêmeas e 70 machos) foram submetidos ao teste comportamental para seleção de filhotes (Campbell, 1972). Todos os 122 cães tinham idade compreendida entre seis e oito semanas. O teste foi realizado nos canis de origem e  pela mesma pessoa em todos os filhotes, pessoa esta que não tivera contato anterior com eles até então e não exibiu qualquer emoção durante os testes. O teste de Campbell é dividido em cinco etapas, cada uma delas corresponde a uma manipulação feita com o filhote, na qual a resposta do filhote é avaliada e classificada como: muito dominante, dominante, submisso, muito submisso e independente/medroso, recebendo notas decrescentes de cinco a um para cada classificação respectivamente. As etapas do teste são: (1) Atração Social - em uma área de ao menos 3m2, o testador põe o filhote de frente para uma parede, se agacha e chama o filhote batendo palmas sem fazer muito barulho, observa se o filhote atende ou não esse chamado e como ele o faz; (2) A Seguir – na mesma área da etapa anterior, o testador põe o filhote encostado na parede, mas virado para si, tendo certeza que tem a atenção do filhote e começa a andar para o centro da área, observando se o filhote o segue e como o faz; (3) Contenção – o testador põe o filhote em decúbito dorsal, o contém nesta posição por aproximadamente 30 segundos e observa sua reação; (4) Dominância Social – o testador põe o filhote em decúbito ventral, em posição de esfinge, com uma mão o contém na nuca, com a outra afaga seu dorso por aproximadamente 30 segundos e observa a reação do filhote; (5) Dominância elevada – o testador contém o filhote com as mãos em torno do tórax do animal e o levanta do solo aproximadamente 20 cm e observa a reação do filhote. As pontuações foram tabuladas e comparadas estatisticamente através do programa BioEstat® 5.0, com nível de significância de 5% (α=0,05).

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Após a realização do teste estatístico de Mann-Whitney, não houve diferença significativa entre os sexos para as pontuações dos testes de uma maneira geral nem na comparação das etapas do teste de Campbell individualmente (tabela1). Tal resultado mostra diferença entre as raças Retriever do Labrador e Cocker Spaniel Inglês. No trabalho realizado por Pérez-Guisado e colaboradores, o Cocker Spaniel Inglês teve diferença significativa entre os sexos, sendo os machos mais tendenciosos à dominância naquele estudo. Essa diferença entre as raças pode ser decorrente da idade em que os testes foram feitos, entre seis e oito semanas, já que os Cockers tendem a ser mais precoces do que os Labradores, em decorrência do porte. Cães maiores amadurecem mais tarde, tanto em relação à puberdade quanto ao comportamento (BEAVER, 2001). Mas essa é a idade preconizada para a realização do teste sem distinção de raça pelo autor do teste (CAMPBELL, 1972), e essa mesma faixa  etária foi seguida pelos pesquisadores espanhóis. Como não houve diferença entre os sexos, a avaliação de tendência à dominância relacionada à cor de pelagem teve o total de cães dividido em três grupos (38 Amarelos, 52 Pretos e 32 Chocolates). Na avaliação global do teste, houve diferença significativa entre pretos e amarelos (p=0,02) e pretos e chocolates (p<0,01). Em todas as fases do teste os pretos tiveram diferença significativa em suas pontuações em relação aos chocolates, menos na etapa “A Seguir”,  na qual os três grupos se igualaram estatisticamente (tabela 2). Já em relação aos amarelos, os pretos mostraram-se com maior tendência à dominância na etapa de “Dominância Social”, não tendo diferenças significativas nas demais. Amarelos e chocolates não tiveram diferença significativa em nenhuma das etapas do teste assim como na avaliação global. Os autores espanhóis também encontraram relação da cor da pelagem com tendência à dominância nos cães da raça Cocker Spaniel Inglês, naquele estudo os dourados mostraram-se mais tendenciosos à dominância que os pretos e estes mais que os bi ou tricolores, resultados que corroboraram os de outra pesquisa realizada nos EUA (PODBERSCEK & SERPELL, 1996)

REFERÊNCIAS

BEAVER, B.V. Comportamento Canino: um guia para veterinários , São Paulo: Roca, 2001 431p.
CAMERON, D.B. Canine dominance-associated aggression: concepts, incidence, and treatment in a private behavior practice, Appl. Anim. Behav. Sci,. 52, 265-274, 1997.
CAMPBELL, W. E. A behavior test for puppy selection. Mod. Vet. Pract., v. 53, n. 12, p. 29-33, 1972.
LANDSBERG, G. Diagnosing dominance aggression, Can Vet J., 31, 45-46, 1990
LUESCHER, A. U. ; REISNER, I. R. Canine Aggression Toward Familiar People: A New Look at an Old Problem, Vet. Clin. Sm. Anim. Pract., 38, 1107–1130, 2008.
OVERALL, K.L.; LOVE, M. Dog bites to humans - demography, epidemiology, injury, and risk. J. Am. Vet. Med. Asso., 218, 1923-1934, 2001.
PÉREZ-GUISADO, J.; LOPEZ-RODRÍGUEZ, R.; MUÑOZ-SERRANO, A. Heritability of dominant–aggressive behaviour in English Cocker Spaniels, Appl. Anim. Behav. Sci. 100, 219–227, 2006.
PODBERSCEK, A.L., SERPELL, J.A. The English Cocker Spaniel: preliminary findings on agressive behaviour. Appl. Anim. Behav. Sci. 47, 75–89, 1996.

TABELAS

Tabela1: Comparação de tendência à dominância através do teste de Campbell em filhotes machos (n=70) e fêmeas (n=52) de cães da raça Retriever do Labrador
Etapa do Teste
Machos
(pontuação média)
Fêmeas
(pontuação média)
Valor p*
Atração Social

3,4
3,1
0,37
A Seguir

3,0
3,4
0,27
Contenção

2,6
2,7
0,35
Dominância Social

2,3
2,4
0,50
Dominância Elevada

2,2
2,1
0,73
Avaliação Global

13,6
13,7
0,86
* Calculado através do teste de Mann-Whitney



Tabela 2: Comparação de tendência à dominância através do teste de Campbell em filhotes de cães da raça Retriever do Labrador tomando como parâmetro a cor da pelagem
Etapa do Teste
Amarelos
(pontuação média)
Pretos
(pontuação média)
Chocolates
(pontuação média)
Amarelos x Pretos (valor p*)
Amarelos X Chocolates (valor p*)
Pretos X Chocolates (valor p*)
Atração Social
2,9
2,0
3,2
§
§
§

A Seguir

3,1
2,7
2,5
0,18
0,14
<0,01

Contenção

2,5
2,9
2,2
0,05
0,21
<0,01
Dominância Social
2,0
3,6
2,2
<0,01
0,40
0,04
Dominância Elevada
2,4
3,6
2,0
0,06
0,14
0,84
Avaliação Global
13,0
14,9
12,3
0,02
0,52
<0,01
* Calculado através do teste de Student-Newman-Keuls
§ o teste de Student-Newman-Keuls não foi realizado porque o teste de  Kruskal-Wallis teve como resultado p=0,08

Trabalho apresentado na forma de pôster com resumo publicado na página 234 dos anais do 37º Congresso Brasileiro de Medicina Veterinária - Rio de Janeiro- 2010

LEVANTAMENTO DA SITUAÇÃO DA EDUCAÇÃO DE CÃES DE APARTAMENTO NO MUNICÍPIO DE NITERÓI-RJ


 aNA LUÍSA PEREIRA RIEDEL DE CARVALHO; GUILHERME MARQUES SOARES

ABSTRACT: Survey of education situation in apartment dogs in Niterói-RJ city. Behavior problems in dogs might be reduced if they are educated. By examining 103 questionnaires answered by their owners that live in the city of Niterói-RJ. The questionnaires contained questions about specific behaviors that indicate how much the dogs were educated. This study concluded that only 2 (1,94%) obeyed to all the basic commands such as “sit”, “lie down” or “stay”, 51 (49,51%) don’t obey to any of the basic commands and 44 (42,72%) don’t obey to any commands. The results encountered in this study mean that those dogs need to do basics training work so it could improve their and owner’s welfare.

KEYWORDS. Education. Dog behavior. Animal welfare.

 Introdução


A situação da educação dos animais é reflexo do estilo de vida do homem atual, que para suprir as necessidades de companhia, por exemplo, adquirem um animal estimação1,2. Este passa a ser considerado um membro da família: dorme junto com o proprietário, é tratado como filho, usa roupas, e se alimenta de comida caseira. Esses fatos reunidos levam o animal à antropomorfisação, que é o fato de o ser humano atribuir necessidades e sentimentos humanos aos animais1,2, o que fica bastante evidente no mercado pet, onde a cada dia são desenvolvidos mais produtos (perfumes, xampus, roupas e acessórios) e serviços (massagem, hidratação e alisamento de pêlos, e banho de ofurô) destinados a atender à demanda gerada pela antropomorfisação. Esta e outros fatores como a restrição social, o tempo de interação entre o proprietário e o animal, e a quantidade e qualidade de treinamento que recebem3, podem causar problemas como agressividade e ansiedade de separação. Alguns distúrbios comportamentais podem ser evitados se os cães receberem treinamento. Se o cão só é educado verbalmente, há chance de o animal desenvolver problemas, enquanto que no treinamento formal ou realizado pelo proprietário, podem ser evitados,3,4. O principal motivo das visitas às clínicas veterinárias especializadas é a agressividade5,6, pois afeta a vida do proprietário negativamente. Este estudo teve como principal objetivo avaliar o quanto de educação formal ou informal os cães receberam. Sua importância é estimular médicos veterinários a orientar os proprietários na educação de seus cães. Com isso, pode-se aumentar a sociabilidade dos cães e, consequentemente, prevenir uma série de distúrbios de comportamento e proporcionando bem-estar ao cão e à sua família humana.

MATERIAL E MÉTODOS


Foram aplicados 161 questionários a proprietários de cães de apartamento no município de Niterói-RJ. Nesses questionários havia perguntas relacionadas à educação do animal como: obediência a comandos, que possuía como opções de respostas os comandos “senta”, “deita”, “fica” e outros (com espaço para preenchimento pelo proprietário); se pula em visitas e/ou pessoas da casa, comportamento na rua (se anda com ou sem guia e se a puxa ou não). Características do animal com relação ao sexo, peso e idade foram abordadas. Os questionários foram distribuídos em clínicas veterinárias e lojas especializadas no bairro de Icaraí, de forma aleatória a proprietários de cães residentes em apartamentos, no período de julho a novembro de 2006. Foi solicitado que cada proprietário respondesse apenas sobre um animal, caso esse convivesse com mais de um em casa.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Dos 161 questionários distribuídos, 103 foram respondidos pelos proprietários. Apenas 2 (1,94%) animais obedecem aos comandos básicos de adestramento (senta, deita e fica) e andam na rua sem puxar a guia. Em contrapartida, 51 (49,51%) dos proprietários relataram que seus cães não atendiam a nenhum comando básico e 44 (42,72%) não obedeciam a nenhum comando. Individualizando comando a comando, 37 (35,92%) obedecem ao senta, 22 (21,36%) ao deita, 26 (25,24%) ao comando fica, e 7 (6,80%) obedecem a outros comandos. Em relação ao puxar a guia durante os passeios, 49 (47,57%) dos cães andam na rua puxando a guia. Combinando os resultados de puxar a guia e dos comandos básicos de adestramento, 30 (29,13%) não obedecem a nenhum comando formal e andam na rua puxando a guia. Os resultados em relação ao pular nas pessoas em casa foram: 24 (23,30%) somente pulam nas pessoas da casa, 13 (12,62%) somente pulam nas visitas e 41 (39,81%) pulam em visitas e pessoas da casa. Combinando os resultados de pular nas pessoas, puxar e guia e obedecer a comandos básicos, 22 (21,36%) pulam nas pessoas, não obedecem a comandos básicos e puxam a guia durante os passeios na rua (Figura 1). Em relação ao sexo, 51 eram fêmeas e 52 machos e não houve predisposição em relação ao sexo com nenhum comportamento observado. A média de peso dos animais da amostra foi de 8,79kg e a de idade foi de 5,89 anos, sendo que 2 proprietários não informaram a idade do animal. Os resultados encontrados nesse estudo para animais que obedecem a comandos e que pulam em pessoas da casa são menores que os citados na literatura3. Isto porque, em países desenvolvidos há uma maior preocupação com o adestramento devido aos padrões culturais da população. Por exemplo, na Austrália a maioria dos cães vive confinada em quintais pelo medo de desenvolvimento de agressividade3. Há uma compatibilidade no resultado quando se refere à proporção de animais treinados na população e a apresentação de problemas de comportamento, pois, aparentemente, menos animais receberam treinamento3. Nesse estudo foi encontrado um número menor de animais educados do que os não educados, estando de acordo com os resultados da literatura, porém o resultado de animais educados encontrado nesse estudo (1,94%) é menor do que o encontrado na literatura (20,3%)7. Com relação à idade, são animais em sua maioria adultos e continuaram exibindo comportamentos naturais de filhotes6. E em relação ao peso, os resultados obtidos demonstram que os animais da amostra são em sua maioria de pequeno porte, o que implica em menos danos quando estes pulam nas pessoas ou puxam a guia durante os passeios. Dados da literatura estão de acordo com este estudo na questão do peso e porte do animal, cães menores apresentam maior excitabilidade7. Por hipótese, o porte menor facilita o controle desses cães pelo proprietário quando chega em casa e durante os passeios na rua. Outro estudo diz que alguns animais que receberam educação formal apresentaram menor excitação durante os passeios e são mais educados comparados àqueles que não receberam8, o que está em acordo com este estudo. Outro aspecto que merece mais pesquisas é o paradoxo entre o antropomorfismo e a busca pela educação dos cães. O antropomorfismo, como é citado na literatura1,2, faz com que os animais sejam tratados como humanos, porém a necessidade de educação ou ficou negligenciada nos animais deste estudo ou então esses cães compartilharam um problema comum no processo educacional, que é a dificuldade das atuais gerações em estabelecer limites às crianças9 , o que pode ter se estendido aos cães. Os resultados deste levantamento demonstram a necessidade de um processo básico de educação dos cães, o que surtiria um impacto positivo na qualidade de vida desses proprietários e de seus cães.

FIGURAS


Figura 1 – Parâmetros de obediência básica dos cães de apartamento do município de Niterói – RJ, no período de julho a novembro de 2006.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1.     FUCK, E.J.; FUCK, E.T; DELARISSA, F.; CURTI, C.E. Nosso Clínico, 9 (49): 46-58, 2006.
2.     FARACO, C. B.; SEMINOTTI, N. Revista do Conselho Federal de Medicina Veterinária, 32: 57-62, 2004.
3.     KOBELT, A.J.; HEMSWORTH, P.H.; BARNETT, J.L.; COLEMAN, G.J. Applied Animal Behaviour Science, 82: 137-148, 2003.
4.     TAKEUCHI, Y.; OGATA, N.; HOUPT, K.A.; SCARLETT, J.M. Applied Animal Behaviour Science, 70: 297-308, 2001.
5.     DENENBERG, S.; LANDSBERG, G.M.; HORWITZ, D.; SEKSEL, K.. In: MILLS, D.; LEVINE, E.; LANDSBERG, G.; HORWITZ, D.; DUXBURY, M.; MERTENS, P.; MEYER, K.; HUNTLEY, L. R.; REICH, M.; WILLARD, J. Current Issues and Research in Veterinary Behavioral Medicine. Indiana: Purdue University Press, 2005, p. 56-62.
6.     LANDSBERG, G.; HUNTHAUSEN, W.; ACKERMAN, L. Problemas Comportamentais do Cão e do Gato. São Paulo: Roca, 2004. 492p.
7.     BENNETT, P.C.; ROHLF, V.I. Applied Animal Behaviour Science, 102: 65-84, 2007.
8.     JAGOE, A.; SERPELL, J. Applied Animal Behaviour Science, 47: 31-42, 1996.
9.     ZAGURY, T. Sem padecer no paraíso. Rio de Janeiro: Record, 2002, 208p.




Trabalho apresentado em forma de pôster na VIII Conferência Sulamericana de Medicina Veterinária - Rio de Janeiro - 2009

quarta-feira, 30 de março de 2011

AGRESSIVIDADE EM CÃES DE APARTAMENTO NO MUNICÍPIO DE NITERÓI-RJ

GUILHERME MARQUES SOARES ; JOÃO TELHADO ; RITA LEAL PAIXÃO

ABSTRACT: Aggressiveness in apartment dogs in Niterói-RJ city. Aggressiveness is always related with dog’s larger breeds, but is easy to see the smaller ones showing the same behavior problem. In this study, after examine 161 questionnaires that asked to dog’s owners that leaves in apartments in Niterói-RJ, about witch situations the dogs growls or try to bite, just 12,6% never showed any aggressive behavior. These results shows that have something wrong on the human-dog relationship that needs to be better studied.

KEY WORDS. Aggressiveness, Dog Behavior, Animal welfare

INTRODUÇÃO

A agressividade é o principal problema de comportamento que leva proprietários a procurarem atendimento veterinário especializado[1;2;3] . Nos Estados Unidos da América, cerca de 20 milhões de cães são abandonados ou submetidos a eutanásia anualmente por causa de problemas comportamentais[4] . A agressividade comumente está relacionada com a forma com que os proprietários interagem com o cão[5;6;7] . Um fator que contribui para aumentar as respostas agressivas é a idade, ou seja, animais quando atingem a fase senil de suas vidas tendem a se mostrarem mais agressivos[8] . Destaca-se a importância da prevenção da agressividade em quaisquer tamanhos ou raças de cães. Ainda que os de maior porte tragam um risco inerente maior, decorrente da potencial contundência de seus ataques, agressões oriundas de pequenos cães de companhia são traduzidas por seus proprietários como uma forma de traição[2] , acarretando perda na qualidade de vida de ambos. Este levantamento destina-se a quantificar e qualificar alguns aspectos relacionados à agressividade canina direcionada a seres humanos.

MATERIAL E MÉTODOS

Foram aplicados 161 questionários a proprietários de cães de apartamento no município de Niterói-RJ. Nesses questionários havia a pergunta “Quando seu cão rosna ou tenta morder” seguida de onze respostas fechadas e uma opção para o proprietário descrever alguma situação que não estivesse listada. As opções foram: “ao ser escovado”; “ao mexer-se no comedouro”; “pessoas desconhecidas”; “animais desconhecidos”; “ao ser contrariado”; “quando acordado”; “para cortar as unhas”; “para limpar ouvido”; “ao ser medicado”; “ao ser examinado pelo veterinário” e “no serviço de banho e tosa”. Os questionários foram distribuídos em clinicas veterinárias e lojas especializadas no bairro de Icaraí, de forma aleatória a proprietários de cães residentes em apartamentos.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Responderam e devolveram o questionário 103 proprietários e desses, 90 proprietários (87,4%) relataram que seus cães apresentam agressividade (rosnam ou tentam morder) em pelo menos uma situação (figura1), número compatível com estudo já publicado[9] , 46 (44,7%) em ao menos 2 situações, 23 (22,3%) em ao menos três e 8 (7,8%) em quatro ou mais situações. As ocasiões que mais desencadeiam respostas agressivas são: quando contrariados (30,1%) e para animais desconhecidos (30,1%). O primeiro caso pode caracterizar um perfil dominante [2] dos animais ou ao menos uma dificuldade de controle dos proprietários sobre seus cães. O segundo, assim como o terceiro que foi a presença de pessoas desconhecidas (22,3%) refletem uma falha no processo de socialização [10] desses animais. Alguns procedimentos, que podem ser dolorosos, com potencial para desencadear episódios de agressão reativa à dor também se encontram listados: quando escovados (13,6%); ao cortar as unhas (12,6%) e ao limpar ouvido (9,7%), tais percentuais podem ser diferentes de trabalho já publicado em virtude de muitos desses animais apenas serem submetidos a esses procedimentos nos serviços de banho e tosa de clínicas e lojas especializadas, que podem não informar aos proprietários a ocorrência de tais episódios[11]. A ocorrência de agressividade no serviço de banho e tosa (8,7%) também foi aquém de dados já publicados[11] . Outros itens como: ao mexer-se no comedouro (9,741%); ao ser acordado (4,8%); e ao mexer-se nos pertences do cão (2,9%); que caracterizem dominância ou dificuldades no manejo dos animais por parte dos proprietários aparecem em menor número, mas compondo o mesmo quadro do primeiro item já relatado e discutido. Fatos que interessam muito aos Médicos Veterinários que atuam na clínica médica de pequenos animais são os relatos de 6 proprietários (5,8%) que seus cães reagem agressivamente durante o exame clínico e 8 (7,8%) ao serem medicados. Neste estudo existem vários indícios de um grande número de animais têm na dominância e na falta de socialização primária suas grandes motivações para exibir comportamentos agressivos. Um dos principais argumentos para caracterizar a dominância dos cães como motivador da agressividade é a própria metodologia empregada onde se baseou a amostragem em proprietários de cães residentes em apartamentos, levando-se a crer que os comportamentos agressivos ocorriam em âmbito doméstico[12] . A maioria desses episódios descritos poderia ser evitada com correta orientação dos proprietários com noções de hierarquia e comunicação caninas e com trabalhos de socialização e educação básica desses animais[10].


Figura 1 – Contextos ou atividades citadas pelos proprietários, nas quais seus cães rosnam ou tentam morder.













REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. DENENBERG, S.; LANDSBERG, G.M.; HORWITZ, D.; SEKSEL, K.. In: MILLS, D.; LEVINE, E.; LANDSBERG, G.; HORWITZ, D.; DUXBURY, M.; MERTENS, P.; MEYER, K.; HUNTLEY, L. R.; REICH, M.; WILLARD, J. Current Issues and Research in Veterinary Behavioral Medicine. Indiana: Purdue University Press, 2005, p. 56-62.
2. LANDSBERG, G.; HUNTHAUSEN, W.; ACKERMAN, L. Problemas Comportamentais do Cão e do Gato. 2 ed., São Paulo: Roca, 2004. 492p.
3. WRIGTH, J.C. Vet. Clin. North Am.: Small An. Pract...21, (2): 299-314, 1991.
4. SEKSEL, K. Vet. Clin. North Am.: Small An. Pract., 27 (3) : 465-475, 1997.
5. BENNETT, P.L.; ROHLF, V.I. App. An. Behaviour Science, 102 : 65–84, 2007.
6. JAGOE, A; SERPELL, J. App. An. Behaviour Science, 47 : 3l-42, 1996.
7. O´FARRELL, V. App. An. Behaviour Science, 52 : 205-213, 1997.
8. HORWITZ, D.F. Vet. Med., 96 (11) :.869-877, 2001.
9. GUY, N.C.; LUESCHER, U.A.; DOHOO, S.E.; SPANGLER, E.; MILLER, J.B.; DOHOO, L.R.; BATE, L.A. App. An. Behaviour Sci., 74 : 43-57, 2001.
10. SERRA, C.M. Avaliação de um método para socialização primária de filhotes de cães domésticos e seus efeitos nos participantes, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, 87p. (Tese de Mestrado), 2005.
11. SOARES, G. M.; EPPINGHAUS, J. V.; RAMOS A. C. F. Revista Nosso Clínico, 49 : 60-64, 2006.
12. CAMERON, D.B. App. An. Behaviour Sci., 52: 265-274, 1997.

Este resumo espandido foi publicado na Revista da Universidade Rural, Série Ciências da Vida - Seropédica, RJ, EDUR, v. 27, suplemento, 2007. p. 324-325

ASPECTO CONDICIONAL NA SÍNDROME DE ANSIEDADE DE SEPARAÇÃO EM CÃES

Autores: GUILHERME MARQUES SOARES ; JOÃO TELHADO ; RITA LEAL PAIXÃO

ABSTRACT: Conditional Aspect in the Separation Anxiety Syndrome in dogs. Many dogs present signs compatible with the Anxiety Separation Syndrome. However, that is usually observed only in specific situations. That issue is not frequently discussed in most references, although nearly 10% of the 118 interviewed owners in this study reported that their dogs presented suspicious clinical or ethological signs. Those findings indicate that some of these dogs exhibit characteristics compatible with the syndrome.

KEY WORDS. Separation Anxiety, Dog Behavior, Animal welfare

INTRODUÇÃO

Ansiedade de separação é uma síndrome clínica e um dos problemas de comportamento mais comuns encontrados em cães de companhia[1]. Aproximadamente 14% dos cães atendidos por médicos veterinários nos EUA apresentam sinais da síndrome[2], que afeta diretamente a qualidade de vida dos animais[3] e traz consigo uma série de inconvenientes aos proprietários. Esta síndrome é normalmente descrita como um grupo de comportamentos que o animal apresenta quando fica sozinho em casa ou simplesmente afastado da(s) pessoa(s) com que tem maior vinculo.
Os comportamentos mais descritos são: vocalização excessiva, comportamentos destrutivos; eliminações inapropriadas (micção e defecação)[4], entretanto alguns animais podem apresentar vômitos ou depressão[5]. Todavia alguns animais só apresentam estes comportamentos em situações, de solidão/quebra do vínculo, específicas,geralmente quando há uma quebra na rotina da família[6]. Este estudo tem o objetivo de chamar atenção para este aspecto da síndrome, já que o mesmo dificulta seu diagnóstico e consequentemente, seu tratamento.

MATERIAL E MÉTODOS

Foram realizadas 118 entrevistas com proprietários de cães no município de Niterói-RJ, as quais foram gravadas e analisadas para identificar as histórias compatíveis com a Síndrome de Ansiedade de Separação (SAS) e suas possíveis variações. As entrevistas foram realizadas de agosto a novembro de 2006, em clinicas veterinárias e lojas especializadas do bairro de Icaraí e os entrevistados foram selecionados de forma aleatória. Nas entrevistas foi perguntado: se o animal apresentava alguma atitude que incomodava o proprietário; se tinha algum problema de comportamento; quando e por que teria começado a apresentar o(s) comportamento(s) incômodo(s) e/ou problemático(s); se o animal fazia algum tipo de “pirraça”; se o proprietário utilizava algum recurso para não deixá-lo sozinho, por que e como era o comportamento do cão quando ficava sozinho.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Das 118 entrevistas, 42 (35,6%) apresentaram histórias compatíveis com a síndrome de ansiedade de separação, o que está de acordo com a descrição de autores de que até 40% dos cães apresentam este problema[7] . Dentre estas, em 11 (9,3%) os proprietários descreveram que seus cães exibiam os sinais da síndrome, apenas sob determinadas condições (figura1). Cinco animais (4,2%) exibiam os sinais apenas quando havia mudanças na rotina do proprietário. Por exemplo, em um desses casos, o cão rotineiramente acompanhava o proprietário para o trabalho, mas caso ficasse em casa sozinho durante o dia começava a vocalizar, o que não ocorria se o período de solidão fosse à noite. Em outro caso verificava-se o oposto, os proprietários podiam sair para trabalhar sem que o cão manifestasse nenhum sinal da síndrome, porém se a ausência dos mesmos era à noite o animal passava a exibir os sinais. Os outros 6 proprietários (5,1%) descreveram que seus animais demonstravam os sinais da síndrome quando havia alterações nos seus rituais de partida. Três proprietários relataram que seus cães necessitavam que eles “se despedissem” ou “dessem satisfação” antes de sair, caso contrário havia exibição de sinais da síndrome. Até mesmo a via de saída do proprietário pode ser o fator condicional, como no caso em que se usar a porta da frente o animal fica tranqüilo, mas se sair pela dos fundos o animal fica “ansioso”. Fatores ambientais (acender a luz antes de sair) também foram mencionados, assim como fatores sociais (sair acompanhado ou sozinho). Esta variante da ansiedade de separação leva muitos profissionais Médicos Veterinários e mesmo proprietários a descartarem o diagnóstico, visto não se enquadrarem na definição clássica da síndrome. A síndrome pode ser definida como: alterações de comportamento apresentadas pelo animal na ausência da figura de ligação, podendo esta ausência ser configurada apenas por um afastamento de poucos metros ou pela separação por uma barreira física (porta ou caixa de transporte, por exemplo) desta figura de vínculo. Este fato contribui para que o quadro clínico não seja tratado, o que implica numa perda da qualidade de vida de donos e animais, podendo mesmo levar à ruptura do vínculo entre eles com conseqüente abandono ou morte do animal[8] .



Figura 1 – Proporção dos casos condicionais da Síndrome de Ansiedade de Separação










REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. TAKEUCHI Y.; OGATA, N.; HOUPT, K.A.; SCARLETT, J.M.. App. An. Behaviour Sci., (70):297-308, 2001.
2. OVERALL K.L.; DUNHAM A.; FRANK D.. JAVMA, 219 (4): 467-472, 2001.
3. MCMILLAN F.D.. JAVMA, 216 (12):1904 -1910, 2000.
4. APPLEBY, D.; PLUIJMAKERS, J. Vet Clin North Am Small Anim Pract; 33(2):321-344, 2003.
5. MCCRAVE, E.A.. Vet Clin North Am Small Anim Pract, 21: 247-256, 1991.
6. LANDSBERG, G.; HUNTHAUSEN, W.; ACKERMAN, L.. Problemas Comportamentais do Cão e do Gato. 2
ed., São Paulo: Roca, 2004. 492p.
7. SEKSEL, K.; LINDEMAN, M. J.. Austr. Vet. J., 79 (4): 252-256, 2001.
8. KING J.N.; SIMPSON B.S.; OVERALL K.L.; APPLEBY D.; PAGEAT P.; ROSS C.; CHAURAND C.J.P.;
HEATH S.E.; BEATA C.; WEISS A.B.; MULLER G.; PARIS T.; BATAILE B.G.; PARKER J.; PETIT S.;
WREN J.. App. An. Behavior Sci., (67): 255-275, 2000.

Este resumo estendido foi publicado na Revista da Universidade Rural, Série Ciências daVida. Seropédica, RJ, EDUR, v. 27, suplemento, 2007, p. 215-216

IMPORTANCIA DA QUALIDADE DE INTERAÇÃO DO PROPRIETÁRIO COM O CÃO NA A PREVENÇÃO DA SÍNDROME DE ANSIEDADE DE SEPARAÇÃO

Autores: GUILHERME MARQUES SOARES; JOÃO TELHADO; RITA LEAL PAIXÃO

ABSTRACT: Importance of a Quality Owner-Dog Interaction in Preventing Separation Anxiety Syndrome. Many factors can lead to the development of separation anxiety syndrome in dogs. In this study, dogs that interacted more with owners, dogs that were walked more times a day, dogs that played more with owners or were groomed frequently by owners presented more resistance to show the syndrome’s signs than others. In conclusion, owner-dog quality time seems to diminish the syndrome development.

KEY WORDS. Separation Anxiety, Dog Behavior, Animal welfare

INTRODUÇÃO

A Síndrome de Ansiedade de Separação (SAS) é um dos problemas de comportamento mais comumente encontrados em cães de companhia1, pode acometer até 40% dos cães2, e afeta diretamente a qualidade de vida dos animais3 além de trazer consigo uma série de inconvenientes aos proprietários. É normalmente descrita como um grupo de sinais que o animal apresenta quando fica sozinho em casa ou simplesmente afastado da(s) pessoa(s) com que tem maior vinculo. Os comportamentos mais descritos são: vocalização excessiva, comportamentos destrutivos; eliminações inapropriadas (micção e defecação)4, entretanto alguns animais podem apresentar vômitos ou depressão5. Existem relatos de fatores que possam predispor esse quadro dentre eles: raça5, sexo6, idade7, proprietários ansiosos8 e animais que convivem com uma única pessoa9. É sabido também que a interação do proprietário e o ambiente social interferem para a ocorrência de vários problemas de comportamento10.

MATERIAL E MÉTODOS

Foram aplicados 103 questionários a proprietários de cães de apartamento de Niterói-RJ. Os questionários foram desenvolvidos para identificar sinais compatíveis com a SAS e identificar se algumas rotinas e manejos interferem de alguma maneira no problema. A interatividade foi avaliada a partir da combinação entre os hábitos de passear diariamente, escovar periodicamente e brincar regularmente com o cão, que foram divididos em grupos de forma a caracterizar, para fins deste levantamento, o que foi aqui chamado de “interação mínima desejável” (IMD). Ou seja, se o proprietário tem ou não um mínimo de interação adequada com as necessidades da espécie11. Para entrar no grupo dos que têm um mínimo de interação com seu cão foram considerados: um mínimo de 20 minutos de passeios diários, associados com brincadeiras diárias (com brinquedos) ou escovação diária, tendo como exceção a esta regra um animal que não tinha brincadeiras ou escovação diárias, mas tinha 4 passeios diários de 20 minutos. Animais que não apresentavam essas características eram considerados como sem IMD. Na categorização dos grupos em relação ao desenvolvimento da SAS, foram considerados positivos aqueles animais que apresentaram, de acordo com os itens marcados no questionário, ao menos um dos sinais característicos da SAS associados a itens que caracterizassem hipervinculação do cão com o proprietário. Os itens que caracterizavam hipervinculação foram: seguir o proprietário pela casa, mostrar alterações de comportamento na partida do proprietário e excitação extrema no seu retorno.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Depois dos questionários respondidos, apresentaram sinais compatíveis com a SAS e, para fins deste estudo, 61 animais (59,2%) foram considerados “positivos” e dentre esses, 37 (60,6% do grupo com SAS, 35,9% do total) pertenciam ao grupo dos sem IMD. Enquanto que, dos 42 animais (40,8%) que foram caracterizados como “negativos” para SAS, 27 (64,3% dos negativos para SAS e 26,2% do total) foram incluídos no grupo dos com IMD. Sendo importante ressaltar que não existe um padrão pré-estabelecido para quantidade ou qualidade de interação como o cão, mas neste estudo os animais foram assim agrupados para avaliar a influência da interação no desenvolvimento dos sinais compatíveis com a síndrome. Os grupos foram comparados, utilizando-se o teste de Qui-quadrado clássico e os resultados se mostraram evidentes (X2calc=6,19; X2tab=3,84; α=0,05), sugerindo que a qualidade e a quantidade de interação interferem positivamente na prevenção da SAS (figura1).

FIGURA



Figura 1 – Comparação entre interatividade do proprietário e o sugestivo desenvolvimento da SAS


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. DENENBERG, S.; LANDSBERG, G.M.; HORWITZ, D.; SEKSEL, K. In: MILLS et al. Current Issues and Research in Veterinary Behavioral Medicine, Indiana: Purdue University Press, 2005, p.56-62.
2. SEKSEL, K.; LINDEMAN, M. J. Australian Veterinary Journal, 79 (4): 252-256, 2001..
3. MCMILLAN F.D. JAVMA, 216 (12):1904 -1910, 2000.
4. APPLEBY, D.; PLUIJMAKERS, J. Vet Clin North Am Small Anim Pract; 33(2):321-344, 2003.
5. MCCRAVE, E.A. Vet Clin North Am Small Anim Pract, 21: 247-256, 1991.
6. TAKEUCHI, Y.; OGATA, N.; HOUPT, K.A.; SCARLETT, J.M. Applied Animal Behaviour Science, 70 : 297-308, 2001.
7. HORWITZ, D.F. Veterinary Medicine, 96 (11):.869-877, 2001.
8. O´FARRELL, V. Applied Animal Behaviour Science, 52: 205-213, 1997.
9. SCHWARTZ, S. JAVMA, 222, (11), 2003.
10. BENNETT, P.L.; ROHLF, V.I. Applied Animal Behaviour Science, 102 : 65–84, 2007
11. FOGLE, B. The Dog’s Mind. London: Pelham Books, 1992. 201 p.


Trabalho apresentado em forma de Pôster na VII Conferencia Sul-americana de Medicina Veterinária - Rio de Janeiro - 2007

terça-feira, 29 de março de 2011

Resultados de Pesquisas

Depois de um ano de inatividade, este blogg volta a ser atualizado. Neste retorno, resolvi disponibilizar os links dos artigos que eu tenho autoria e estão disponíveis na internet.

O primeiro é referente à construção e validação de um questionário para avaliar epidemiologicamente a Ansiedade de Separação em Cães.


O outro é um levantamneto epidemilógico sobre problemas de comportamento de cães no Brasil. Este outro é semelhante, mas traz resultados referentes a problemas comportamentais em gatos.

Aproveito para agradecer a todos os Médicos Veterinários que participaram da pesquisa respondendo aos questionários.

Há ainda uma Revisão de Literatura sobre a Ansiedade de Separação que foi publicada na Revista Clínica Veterinária, que não está disponível on line mas pode ser consultada em "papel".

SOARES, G. M. ; TELHADO, João ; PAIXÃO, Rita Leal . Ansiedade de Separação e suas implicações na qualidade de vida de cães domésticos (Canis familiaris). Clínica Veterinária (São Paulo), v. 67, p. 76-82, 2007.

E, por fim, um estudo exploratório sobre a Ansiedade de Separação em cães de apartamento do Município de Niterói-RJ.

Esse último merece um comentário extra. A SASA (Sindrome de Ansiedade de Separação em Animais) é um distúrbio de comportamento que traz um forte impacto no bem-estar dos cães e na qualidade de vida dos proprietários. Nesse artigo, quase 60% dos cães avaliados apresentavam sinais compatíveis com a SASA. É fundamnetal àqueles que pensam em ter cães em apartamentos que reflitam bastante sobre o que precisarão fazer para evitar que seus cães sofram. Cães precisam ser socializados, precisam ser exercitados, precisam ser educados, além de todos os demais cuidados básicos (vacinas, remédios, comida e carinho).

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Enfim um feromônio


Ontem foi o lançamento para o Rio de Janeiro de um produto há muito aguardado pelos etologiastas clínicos brasileiros, o Feliway (produzido pela Ceva Santé Animale). Por que tanta expectativa? É um produto com indicação para uma das principais queixas comportamentais dos felinos, as micções em locais inapropriados e sem contraindicação.

Como funciona?

Os feromônios são substâncias que estimulam um órgão sensorial bem desenvolvido nos animais, chamado órgão vomeronasal, esta estrutura comunica-se diretamente com a parte do cérebro responsável pelas emoções (o sistema límbico). Ou seja, o animal não tem associação do cheiro do produto com um sentimento ou emoção, como acontece com os humanos quando sentem um cheiro que lembra a infância (aquele bolo de chocolate que a minha avó fazia) ou uma lembrança desagradável (essa mulher usa o mesmo perfume da minha sogra). Os feromônios são como emoção química pronta para uso.

O Feliway especificamente é um análogo sintético da fração de feromônio facial dos gatos que traz a mensagem de que aquele lugar ou ambiente é familiar, portanto sem a necessidade de ser marcado com urina ou arranhadura. Ele tem duas apresentações, em spray e difusor de tomada. O spray tem ação mais localizada, enquanto o difusor de tomada permite espalhar o produto por todo ambiente (50 - 70 metros quadrados / 30 dias).

Importante ressaltar que o produto deve ser indicado por um Médico Veterinário que conheça o produto e que entenda de distúrbios de comportamento em gatos, visto que ele não serve para certas motivações das eliminações com urina.

Mais informações? http://www.feliway.com/es

Obs.: O autor do blogg não tem qualquer ligação comercial com o fabricante, nem ganha nada pela propaganda. Este comentário foi postado pois o autor é entusiasta do produto. Também torce pelo breve lançamento nacional de outros dois feromôinios para animais domésticos, o Felifriend e o D.A.P.

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