Quem sou eu

Niterói, RJ
Médico Veterinário que trabalha no tratamento e no estudo de distúrbios de comportamento em cães e gatos. CV Lattes: http://lattes.cnpq.br/9116323178127878 e-mail: gsoaresvet@oi.com.br

terça-feira, 31 de março de 2009

Por que educar? É necessário?

Um paradoxo que vejo na relação de algumas pessoas com seus cães é a frase "meu cachorro é meu filho". Sou pai e amo incondicionalmente minhas crias. Neste sentido a referida frase ainda faz sentido pra mim, a pessoa realmente pode dedicar amor incondicional ao seu cão (ás vezes de forma doentia, mas é outra história). Agora, uma das minhas grande preocupações como pai é que cidadãos estarei colocando na sociedade. Ou seja, me preocupo contantemente com a independência da turma e com a sua socialização, por isso educamos em casa e queremos dar a melhor escola que pudermos pagar. Aí entra a parte que a dita sentença não faz sentido, não vejo as pessoas trabalhando a socialização de seus cães, tampouco sua educação. Cães que recebem toda e qualquer visita aos latidos (ás vezes já começa quando toca o interfone ou a campainha). Cães que pulam em toda e qualquer pessoa que entra em sua residência (de 0 a 100 anos). Cães que mendigam comida à mesa. Que latem insistentemente para que o dono brinque com eles. Que arrastam o dono na rua, como se tracionassem um trenó.
Então um proprietário de cão me pergunta: o que devo fazer para educar?
Primeiramente, conhecer o que é o bicho que se tem em casa. Educar um cachorro é diferente de educar um gato, que é diferente de educar um gofinho, Mesmo que alguns princípios sejam os mesmos, a forma de trabalhar com eles é diferente.
Recomendo que todo mundo antes de ter um cachorro que converse com um veterinário, que leia livros sobre comportamento canino e que busque ajuda na seleção de qual é o melhor cão para a minha realidade. Vou citar um exemplo do pessoal da Lord Cão (www.lordcao.com). Uma pessoa comprou um cão da raça Boxer, se apaixonou por aquele olhar lânguido e ficou com o cão. À medida que o filhote foi crescendo, essa pessoa descobriu que o Boxer baba muito (o que é comum a praticamente todos os cães braquicefálicos - esses que parecem que cairam do berço quando eram filhotes e achataram seus focinhos). Depois de um certo tempo providenciaram um novo lar para a antiga paixão. O amor acabou, como um castelo de areia não resistiu aos rios de baba. Essa mesma pessoa, tempos depois, procurou as adestradoras com um outro filhote, pelo qual tinha se apaixonado e jurara amor eterno. E lá estava ele, um pequeno Sharpei, todo enrugado como uma toalha felpuda, aguardando o seu destino de um litigioso processo de divórcio, porque certamente babará o triplo que o cão anterior.
Nas próximas postagens vou dar dicas de como ensinar alguns comandos muito úteis no processo de educação dos cães.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Adestramento X Educação

Um conceito que deve ser revisto pro proprietário de cães é o de Adestramento. Vejo muitos "adestradores" passeando pelas ruas com os cães de seus clientes e ensinando-lhes comandos básicos como: senta, deita, fica e junto. São comandos básicos de adestramento? Sem dúvida. Mas fazem parte de um processo mais importante de educação do cão.
Adestramento é um trabalho feito com o cão para que este desempenhe uma determinada atividade, por exemplo, guia de cegos ou farejadores de drogas. Pouquíssimos cães são submetidos a este tipo de trabalho e são fruto de um processo de seleção que envolve desde a escolha da raça até a escolha do melhor filhote para o determinado trabalho.
Já a educação deveria ser obrigatória para todo e qualquer cão de companhia ou trabalho.
Em minha rotina de atendimentos de distúrbios de comportamento vejo muitos animais mal educados, para os quais essa falta de educação é um sério fator de agravamento do distúrbio de comportamento, quando a queixa do proprietário não é somente relacionada à falta de educação do cachorro.
Nos próximos dias, vou escrever sobre EDUCAÇÃO canina, socialização e comandos básicos.

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